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Petróleo en Latinoamerica -
Perú
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Miércoles, 13 de Junio de 2007 11:28 |
Peru:
Gasoduto de Camisea recebe luz verde do BID
Envolverde
12/06/2007
Washington,
12/06/2007 – O polêmico projeto Camisea, cujo gasoduto na selva
amazônica peruana já apresentou seis rompimentos, recebeu luz verde de
seu principal investidor, o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), o que causou alarme entre indígenas e ambientalistas. O
resultado de duas auditorias realizadas pelo BID contradiz o estudo
divulgado no ano passado pela E-Tech, uma consultoria técnica sem fins
lucrativos com sede na Califórnia.
O
informe da E-Tech encontrou graves deficiências na qualidade do
material e nos procedimentos de construção aplicados no gasoduto de
Camisea, o que originou reiterados vazamentos de gás em uma zona
ecologicamente muito delicada. O autor do informe da E-Tech, Carlos
Salazar Tirado, é inspetor-soldador do gasoduto que examinou partes do
projeto em sua primeira fase de construção, entre 2002 e 2003. O estudo
de Salazar levou a BID a congelar o financiamento às empresas
construtoras na Amazônia peruana.
Essas
companhias, encabeçadas por SK Corporation, Repsol YPF e Hunt, com sede
no Texas, procuram crédito de US$ 400 milhões para financiar de forma
parcial um terminal de gás natural liquido e outras obras de
infra-estrutura. A finalização do projeto converteria o Peru no
principal exportador de gás natural liquefeito. O BID havia aprovado,
em 2003, um empréstimo de US$ 75 milhões estritamente para o gasoduto.
Em 2002, o Banco entregou US$ 5 milhões ao governo peruano para a
construção de infra-estrutura e para a supervisão do projeto. O gás
liquefeito seria exportado para o México e, possivelmente, para Chile e
Estados Unidos, de onde seria devolvido em estado gasoso.
Mas
após conhecer as conclusões da E-Tech, o BID se comprometeu a esperar
suas próprias auditorias antes de aprovar mais fundos. Agora que os
novos informes atestam a integridade do gasoduto, espera-se que o Banco
libere mais dinheiro. A primeira inspeção encomendada pelo BID foi
realizada pela ICF International. Está empresa encontrou “um
rendimento, no geral, aceitável” em quatro áreas: segurança trabalhista
proteção ambiental, social e de saúde, e também planos de contingência
e respostas de emergência. Além disso, assinalou que as duas empresas
responsáveis pelo projeto tinham um rendimento “efetivo” no controle da
erosão, do reflorestamento e da biodivrsidade.
A
segunda auditoria, a cargo da firma Exponent, se concentrou na
integridade física do gasoduto. Essa companhia atribuiu a causa dos
seis vazamentos às condições geológicas, mais do que à má qualidade dos
materiais ou do trabalho executado. Também, assinalou que as medidas de
estabilização geotécnica reduziram os riscos. O BID encomendou as
auditorias no contexto de sua revisão do financiamento do projeto, que
foi alvo de intensas críticas por suas conseqüências no meio ambiente e
nos direitos dos indígenas da região.
O
BID revelou os resultados dos dois informes na reunião aberta sobre
Camisea que acontece a cada seis meses de forma alternativa em Lima e
Washington. Na reunião participaram mais de 70 representantes de
diferentes setores, organizações não-governamentais, agências do
governo e empresas privadas. Apesar das garantias oferecidas pelo
Banco, representantes de organizações ambientalistas e de indígenas
estão convencidos de que o projeto Camisea é um dos mais prejudiciais.
Estas
entidades da sociedade civil mencionam entre as conseqüências negativas
desmatamento, vazamento de gás e morte de peixes dos quais depende a
vulnerável população local, incluídas as cinco últimas comunidades
autóctones que ainda permanecem isoladas. Organizações da sociedade
civil temem que se essas questões não forem resolvidas o empréstimo de
US$ 400 milhões do BID para a segunda fase do projeto trás
conseqüências negativas sobre uma área ainda maior do amazonas e seus
indígenas.
Para
a organização Amazon Watch, contrária ao projeto, as auditorias do BID
omitiram critérios fundamentais, como danos à biodiversidade e
conseqüências sobre a saúde das comunidades indígenas. Também assinala
que a consultora ICF se baseou em sua investigação de 300 paginas sobre
“indicadores administrativos” que deixaram de lado possíveis violações
de direitos humanos e à saúde das comunidades autóctones da bacia do
rio Urubamba, no sul do Peru. Por fim, assinala que carece de
informação precisa sobre as conseqüências a respeito do frágil
ecossistema da região.
Camisea,
um dos projetos de energia-chave da América Latina, inclui extração,
transporte e distribuição de gás natural para uso doméstico e sua
exportação. O projeto original de US$ 16 bilhões situa-se em uma zona
tropical ambientalmente frágil e remota no vale do Urubamba do Amazonas
pruano. “Há anos reclamamos uma auditoria realmente independente”,
disse Aaron Goldzimer, da organização Environmental Defence. “Nós
sugeríamos um painel imparcial de especialistas, mas, de acordo com a
apresentação feita, foi mais uma auditoria sobre o funcionamento de
planos e sistemas, sem nada dizer a respeito das conseqüências do
projeto”, acrescentou.
Por Emad Mekay, da IPS
(IPS/Envolverde)
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