O sinistro grupo sueco
Skanska é pouquíssimo conhecido no Brasil, mas ele está presente em
diversos pontos do território nacional, desde 1990, notadamente em
parcerias com a gigante do petróleo, a Petrobras, a "querida" empresa
brasileira que usa e abusa de suas formas e disfarces, a mais
comum de "lobo em pele de cordeiro", para esconder seus males.
Em sua página eletrônica, a
Skanska diz que a operação e a manutenção de instalações de gás e
petróleo são as principais atividades da Skanska na América Latina. No
Brasil, ela tem vários contratos de manutenção e serviços para tanques
de armazenamento de derivados químicos, álcool e petróleo da
Transpetro, subsidiária da Petrobras.
Para citar um negócio
recente envolvendo a Skanska e a Petrobras, dia 23 de outubro, a
Skanska assinou um contrato milionário para construir um novo gasoduto
entre os campos de petróleo e gás de Urucu e Manaus, no norte do país,
para a empresa brasileira.
O grupo sueco também está
pertinho de nós santistas. Em fevereiro, a companhia deu início,
derrubando centenas de árvores, à construção da Usina Termelétrica de
Cubatão (SP), ao lado da Serra do Mar e do Rio Cubatão. Essa é uma das
13 termelétricas que compõem o parque gerador da Petrobras a construir
ou já em construção pelo Brasil a fora.
Contudo, os contratos da
Petrobras com a Skanska vão além fronteiras do Brasil. As duas empresas
explorarão petróleo juntas no Bloco 31, localizado dentro do Parque
Nacional Yasuní, na região amazônica equatoriana, em território
ancestral dos índios Waorani e dos povos em isolamento voluntário, numa
área que é considerada reserva da biosfera pela Unesco. Dias atrás,
exatamente no dia 24 de outubro, o governo equatoriano concedeu a
licença ambiental para a Petrobras explorar petróleo nessa região, onde se encontra a
maior biodiversidade do planeta.
A ganância destruidora da
Skanska está por toda América Latina. Líder na região, a Skanska
desenvolve obras de grande porte e é responsável por projetos de
referência na Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Chile, México, Peru,
Uruguai e Venezuela. Seu mercado abrange Centrais Hidroelétricas e
Termoelétricas, Linhas de Transmissão e Estações Transformadoras,
Mineração, Plantas Industriais, Transporte e Comunicações, Obras
Hidráulicas, Edifícios, Instalações de Produção de Petróleo,
Instalações de Produção de Gás, Oleodutos e Gasodutos, Refinarias,
Plantas Petroquímicas, Serviços Petroleiros, Serviços de Manutenção e,
pasmem, Serviços Ambientais.
A seguir, trechos de uma breve conversa que a ANA teve com a eco-libertária
sueca, Hanna Dahlström, que juntamente com Agneta Sörängen, vem
denunciando essa empresa na Suécia e no restante da Europa, com um
trabalho de investigação muito interessante. Meses atrás elas estiveram
no Equador.
O começo
Sob o nome Skanska (a palavra "skan"
significa vergonha em sueco), investigamos a Skanska no Equador,
Bolívia e Peru, e nós descobrimos uma prática ilegal e tóxica da
Skanska, já que a empresa faz parte integral da indústria de petróleo e
gasifica.
Objetivos
Nossos objetivos são oferecer informação
sobre as ilegalidades da Skanska para conscientizar ao povo sueco (já
que Skanska é uma empresa multinacional com raízes e sede na Suécia) e
denunciá-la, solidarizarmos com a luta de povos indígenas e outros
grupos contra Skanska na América Latina, criar uma rede global contra a
Skanska, e levar a cabo ações diretas e simbólicas contra a Skanska.
Temos um blogg em sueco (e parte em castelhano) denunciando a empresa: www.skamska.blogg.se
Equador
Temos investigado pessoalmente a Skanska,
por entrevistas pessoais e trabalhando com organizações locais no
Equador, e temos descoberto que a Skanska não cumpre com direitos
indígenas nem ambientais. Como empreiteira das grandes petroleiras, a
Skanska é até responsável por perfurar os poços de petróleo. Os lugares
onde trabalha a Skanska no Equador, num ecossistema muito frágil que é
a floresta amazônica, suas atividades criaram um verdadeiro desastre
ecológico e humano devido à contaminação. É uma situação muito, muito
grave, e suas praticas tóxicas tem conseqüências sérias nas culturas
indígenas, no meio ambiente, na saúde, e nos povos isolados.
Exemplo
Em 2005 Skanska construiu uma rodovia no
Bloco 31 para a empresa Petrobras, em pleno território Huaorani e
dentro do parque nacional mais grande do Equador, o Parque Nacional
Yasuní. A licença foi retirada pelo governo equatoriano devido a um
estudo de impacto ambiental que faltava informação e devido as
denúncias feitas pelos Huaoranis e organizações ecologistas. Atualmente, o futuro para o Bloco 31 não
está claro e existe a possibilidade que a Skanska outra vez entre neste
bloco junto com a Petrobras. O Bloco 31 está na borda da zona
intangível, zona declarada protegida de exploração, e é território dos
povos que vivem em isolamento, os Tagaeri e os Taromanene, povos
ameaçados.
Explorando
o Bloco 18
Skanska continua trabalhando no Bloco 18,
onde os afetados povos Kichwas e mestiços denunciaram e organizam
protestos já há vários anos. Os advogados da Frente de Defesa da
Amazônia colecionam testemunhos e denúncias dos afetados no Bloco 18, e
autoridades ambientais locais denunciaram a contaminação neste bloco. Skanska também trabalhou no Bloco 16, que
também está em território Huaorani, um povo indígena que está sofrendo
os impactos muito sérios da invasão da indústria de petróleo em seu
território.
Militares
É importante anotar que é difícil
investigar as atividades da indústria de petróleo no Equador, já que a
região amazônica e petroleira está militarizada, e a Skanska até têm
seus guardas privados. No Bloco 31, o contrato entre as empresas e os
militares é secreto.
Peru
Skanska fez parte do consórcio que
construiu o projeto Camisea, o projeto energético mais grande na
história do Peru. Também é um projeto que foi denunciado por vários
relatórios oficiais e cujo gasoduto sofreu 6 rupturas grandes até
agora. O projeto também inclui contatar povos isolados (não contatados)
que vivem na floresta peruana.
Bolívia
Na Bolívia, o trabalho da Skanska para
a Repsol (empresa denunciada mundialmente, por entre outros, Oxfam e a
campanha Repsol Mata) em territórios indígenas contaminando o meio
ambiente e lentamente matando estes povos.
Marketing verde
Na Suécia, a Skanska divulga uma imagem de
ser uma empresa muito responsável, que cuida do meio ambiente e que
participou e assinou o Global Impact das Nações Unidas. Há
muita publicidade da empresa para cobrir as verdadeiras atividades não
sustentáveis na América Latina, como é seu trabalho na indústria de
petróleo e gasifica, onde suas atividades violam leis nacionais tanto
como convênios internacionais (como o OIT 169 de direitos indígenas),
e até viola o seu próprio código de conduta.