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BRASIL - Petrobras devolve bloco, mas quer US$ 250 milhões Imprimir E-mail
Petróleo en Latinoamerica - Brasil
Lunes, 13 de Octubre de 2008 03:13
                                                
                                                                 
Petrobras devolve bloco, mas quer US$ 250 milhões
       
Gazeta Mercantil - 09/10/2008        
    
                                   
Sabrina Lorenzi
       
    
    

A Petrobras negocia com o governo do Equador indenização de US$ 250 milhões pela devolução do bloco petrolífero 31, situado na região amazônica equatoriana. O pagamento do reembolso e a devolução da área podem levar pelo menos quatro meses, afirmou à Gazeta Mercantil uma fonte da empresa. A companhia brasileira desistiu de explorar a área - com potencial para produzir até 30 mil barris diários - por estar localizada dentro de uma reserva indígena, onde poderia enfrentar problemas socioambientais.
Além do bloco 31, a Petrobras negocia sua permanência no campo 18, que já produz 32 mil barris/dia. O Equador ameaça expulsar a empresa do local caso ela não aceite se tornar prestadora de serviço.

    
 
                                                
                                                                 
Petrobras negocia saída de campo equatoriano por US$ 250 milhões
       
Gazeta Mercantil - 09/10/2008        
    
                                   
Sabrina Lorenzi
       
    
    

A Petrobras negocia com o governo do Equador indenização da ordem de US$ 250 milhões pela devolução de uma área de petróleo localizada na floresta amazônica. O valor equivale aos investimentos já realizados no campo - batizado de bloco 31 - em estudos de sísmica e perfuração de blocos, além de uma auditoria ambiental que a estatal se comprometeu a realizar antes de devolver a área. O pagamento do reembolso à Petrobras e a devolução da área podem levar pelo menos quatro meses, afirmou à Gazeta Mercantil uma fonte da estatal.
"A devolução é conveniente para a Petrobras. Temos um quadro político complicado, com regras que nos impedem de crescer no país e foi uma chance de nos livrarmos desses problemas", disse a fonte. A companhia brasileira assinou há duas semanas uma ata de entendimentos com o governo de Rafael Correa para deixar as atividades do bloco 31, mas não foram acertadas compensações pelos investimentos realizados pela empresa brasileira. O documento prevê, sim, reembolsos à Petrobras por parte do governo equatoriano, segundo a fonte.
A área tem potencial para produzir até 30 mil barris de petróleo por dia. Já contrariada com o plano do governo equatoriano de transformar as petroleiras em prestadoras de serviço, a companhia passou a enfrentar dificuldades na obtenção de licenciamento ambiental. Na ocasião da assinatura do documento que prevê a devolução do bloco, em setembro, Correa tratou o acordo como um grande feito do governo. Disse às agências de notícias internacionais que o governo conseguiu que a Petrobras passasse o bloco 31 à Petroecuador, mesmo depois dos investimentos.
A Petrobras já tinha concluído a fase exploratória do bloco 31, com descobertas de petróleo que tornam a produção da área comercialmente viável. Se desenvolvesse o campo até o início da produção, a Petrobras extrairia de 20 mil a 30 mil barris de óleo por dia - pouco para o tamanho dos problemas. "A produção seria muito pequena", disse a fonte. O imbróglio com o bloco 31 vai além do direito de propriedade. "Não foi só o problema com o governo. Essa área fica perto de uma reserva indígena e poderíamos ter complicações sociais e ambientais". Cerca de um terço da área fica na reserva.
A Petrobras negocia também o destino das atividades no campo 18, que já produz 32 mil barris diários de petróleo. A fonte da Petrobras manifestou que as negociações não vão bem. Na última terça-feira, o presidente da petroleira, José Sérgio Gabrielli, disse que a empresa não aceita se tornar prestadora de serviço nas áreas já adquiridas em contrato. E o presidente Lula, na mesma entrevista, cogitou a hipótese de a Petrobras deixar o Equador.
Segundo a fonte da Petrobras, a empresa não terá prejuízo se mantiver as atividades de comercialização no Oleoduto de Crudos Pesados (OCP) que distribui o combustível no norte do país. A Petrobras detém cerca de 10% de participação no oleoduto. Os segmentos de distribuição e comercialização de combustíveis não sofrem pressão de Correa pela estatização.
Na avaliação do executivo da Petrobras, os danos que a Petrobras pode ter com o fim das atividades no Equador não são representativos. "Em termos gerais, nossa participação no Equador é muito pequena e este processo não chega nem perto do que nos aconteceu na Bolívia e na Venezuela", afirmou, ao referir-se à onda de estatização dos governos sul-americanos.
A queda-de-braço entre governo e petroleiras está sendo divulgada começou há pelo menos três meses. Desde meados do ano, a Petrobras negocia com o governo uma maneira de não sofrer prejuízos no país. No ano passado, o governo do Equador elevou de 50% para 99% a taxação sobre o excedente de alta do preço do petróleo, para forçar as empresas a aderirem aos contratos de prestação de serviços. Outras empresas, como a espanhola Repsol-YPF, a francesa Perenco e a Andes Petroleum, da China, não manifestaram oposição aos novos contratos do Equador, deixando a Petrobras sozinha na briga pela manutenção das regras vigentes.