Data: 16 de junho de 2008 22h30min59s GMT-03:00
Assunto: Quanto vale uma vida? Acidentes seguem matando
trabalhadores da Petrobrás
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Quanto vale uma vida?
Acidentes seguem matando
trabalhadores da Petrobrás
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Engenheiro é eletrocutado em Sergipe e operário morre na Bacia de Campos
Uma nota fria da Petrobrás. Repercussão quase nenhuma
na imprensa. Assim foi noticiada a morte do engenheiro de equipamentos
José Geraldo Pereira de Oliveira Filho, que trabalhava na Fábrica de
Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE). José Geraldo morreu
no domingo, 15, depois de receber uma descarga elétrica de alta
voltagem. O Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas acompanha as
investigações sobre as causas do acidente, ao lado de representantes da
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e da empresa. Esta
não foi a primeira morte em Sergipe, durante a jornada de trabalho, nas
últimas duas semanas.
Na Bacia de Campos, o operário Adeilson dos Anjos de
Jesus, um jovem de apenas 27 anos, morreu na última quarta, 11/6. O
acidente repercutiu no jornal A Tarde, na Bahia.
Adeilson era baiano e trabalhava embarcado, contratado pela empresa
Transocean, em Macaé, Rio de Janeiro. Foi a sexta vítima fatal,
envolvendo trabalhadores terceirizados na Bacia de Campos, desde
janeiro de 2008.
A família de Adeilson acredita que houve negligência
da Transocean. Ainda de acordo com o jornal, seu pai, Antônio Carlos
Souza de Jesus, de 53 anos, assegura que o filho não estava habilitado
para a função que estava desempenhando, no momento do acidente. Antônio Carlos fala não só como pai, mas também com a
experiência de quem já trabalha na perfuração de poços de petróleo há
32 anos.
A vítima, Adeilson, contratado como plataformista,
fazia uma manobra operacional num ponto da torre da plataforma SS49,
situado a uma altura de 28 metros, quando teve o braço esquerdo
arrancado devido à tração de uma corrente, puxada por um guincho que se
enrolou na sua mão. Seu pai afirma que o rapaz "era uma homem de área,
portanto, não poderia desempenhar aquela função". As tarefas de um
plataformista deveriam ser realizadas apenas no piso da torre. As
manobras desempenhadas no alto requerem um maior treinamento e são
praticadas pelos chamados torristas. As investigações sobre esse
segundo acidente começaram na última quinta, 12/6. A comissão inclui
representações da Petrobras, do Sindipetro-NF e da Marinha.
Segundo informações da prima de Adeilson, Ilza Carla
Rosário de Jesus, houve demora no atendimento. Inconformada, ela
acredita que a longa espera pode ter ocasionado a morte do primo. "Ele
sofreu duas paradas cardiorrespiratórios, foi reanimado, mas na
terceira não resistiu e morreu" - contou à reportagem do jornal. Essas
informações terão que ser apuradas na investigação do acidente.
Os trabalhadores terceirizados são as maiores vítimas
dos acidentes na Petrobrás. Mas os empregados diretos da
empresa também morrem. O engenheiro José Geraldo, concursado da
Petrobrás, estava trabalhando na empresa apenas há três anos.
Na Bacia de Campos, os índices de acidentes envolvendo
mão-de-obra terceirizada nas plataformas são alarmantes. Em 2008, foram
registrados seis acidentes que resultaram em óbitos, quatro deles de
trabalhadores terceirizados. De 1998 a 2007, foram 90 mortos nas cerca
de 40 plataformas da Bacia de Campos, sendo 27 trabalhadores da
Petrobrás e 63 funcionários terceirizados.
Este ano, o mais grave resultou na morte de cinco
trabalhadores, no dia 26 de fevereiro, quando o helicóptero Super Puma
da empresa BHS Táxi Aéreo afundou, depois de um pouso forçado em alto
mar, após decolar da plataforma P-18 em direção a Macaé, no Estado do
Rio. O Sindicato dos Petroleiros do Rio, na época, ressaltou a
preocupação com a manutenção das aeronaves. Embora seja um serviço terceirizado, a Petrobrás, como contratante,
não está isenta da responsabilidade sobre os acidentes ocorridos em
ambiente de trabalho.
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