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Petróleo en Latinoamerica -
Brasil
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Martes, 15 de Agosto de 2006 13:09 |
FW: A Maldição do Óleo
A Maldição do Óleo
Sérgio Abranches
O Eco
Guerra é sempre um ato de violência em massa. Vitima mais as crianças e
os jovens. O custo humano de uma guerra supera largamente os benefícios
materiais ou político-ideológicos, exceto para os que estão envolvidos
nela. Por isso, geralmente, guerras resultam de conflitos que são
considerados complexos e intratáveis. As partes em litígio põem seus
valores simbólicos, ideológicos, religiosos, étnicos, acima dos valores
humanos ou patrimoniais.
O bombardeio de Israel no Líbano e a retaliação do Hizbolah ilustram
bem isso. É certo que nenhum dos lados alcançará qualquer objetivo
concreto. Israel diz que pretende dissuadir o Líbano de dar cobertura
ao Hizbolah e impedir que essa organização continue ameaçando seus
cidadãos e seus territórios. Mas a violência dos ataques não fará mais
que aumentar o ódio e os militantes das organizações que combatem
Israel no mundo árabe. O Hizbolah quer acabar com o estado de Israel. É
óbvio que não conseguirá. Aumentará o ódio e as tropas de Israel contra
os palestinos e outros povos árabes e fortalecerá o estado-quartel em
Israel.
Efeito colateral
Portanto, outros efeitos colaterais dessa – e de qualquer guerra – não
podem ser considerados mais importantes ou da mesma importância que as
perdas humanas e o aumento dos ódios e dos conflitos intratáveis. Mas
isso não anula sua existência, nem sua gravidade. O desastre econômico
libanês representado pela destruição de infra-estrutura
recém-recuperada da devastação da guerra civil, pela fuga de capitais e
investidores, repercutirá por mais de uma década no país. É certo que
as perdas humanas repercutirão para sempre, nos corações e mentes dos
libaneses e israelenses, e são irrecuperáveis. Infra-estrutura ainda se
reconstrói, embora com muito esforço e dor.
Outra conseqüência grave da guerra é ambiental. Os dois piores
efeitos ambientais, até agora, são o vazamento de óleo da termoelétrica
de Jiyeeh – que já é o 5º pior vazamento de óleo dos últimos 20 anos –
e a destruição de grande parte da última reserva de cedros do Líbano.
Além disso, seria preciso contabilizar a contribuição localizada para o
efeito estufa, por causa das explosões e incêndios e a contaminação do
solo e da água pelos explosivos, por vazamentos de materiais tóxicos e
por cápsulas detonadas e não detonadas que ficam pelo terreno.
A mancha de óleo de Jiyeeh já se espalha em volutas mortíferas para a
biodiversidade por 140 quilômetros da costa libanesa e já atinge a
Síria, ao norte, como mostra a foto de satélite. A continuação dos
bombardeios e hostilidades no Sul do Líbano e o fracasso, até agora,
das tentativas de negociar um cessar-fogo, impedem o trabalho de
contenção da mancha de óleo e sua limpeza. Até a última quarta-feira,
já haviam 12 milhões de litros de óleo no mar Mediterrâneo,
praticamente igualando o vazamento de Jiyeeh ao do petroleiro Erika,
que despejou 13 milhões de litros de petróleo na costa da região da
Bretanha, na França.
Pior cenário
Achim Steiner, Secretário Executivo do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), disse, nessa quarta-feira que
“estamos lidando com um incidente muito sério e qualquer providência
prática está sendo impedida pela continuação das hostilidades”. Segundo
o PNUMA, no pior cenário, o desastre de Jiyeeh pode ter a mesma
dimensão que o vazamento do petroleiro Valdez, da Exxon, no Alaska, o
pior da história no EUA e o terceiro pior dos últimos 20 anos, como se
pode ver no gráfico. Como o pior cenário só será evitado se o vazamento
for contido a tempo e a limpeza do mar começar logo e for rápida e
eficiente, cresce a probabilidade de que venha a ocorrer.
Mesmo que ele não se confirme, a destruição e perda de biodiversidade
serão enormes, como afirma o biólogo Ezio Amato, do Istituto Centrale
per la Ricerca Scientiffica e Tecnologica Applicata al Mare (ICRAM),
que se deslocou para a Síria para avaliar essas perdas em conjunto com
o PNUMA. Os cardumes de atum do Mediterrâneo estão ameaçados. É época
de desova e suas ovas flutuam nas águas, sendo capturadas pela mancha
de óleo. Não bastasse isso, pescadores que não encontram cardumes perto
das águas poluídas estão entrando nos santuários de reprodução do atum,
ameaçando ainda mais diretamente a sobrevivência da espécie. As
tartarugas também estão sob ameaça.
O fantasma do Exxon-Valdez
Mas o fantasma do Valdez não ronda apenas a costa do Líbano. Ele está
de volta ao Alaska. Os preços do petróleo subiram fortemente na
Inglaterra na segunda semana de agosto e quase US$ 1,50 por barril, no
EUA, em reação à notícia de que a British Petroleum iria fechar o campo
que explora na Baía de Purdhoe, no Alaska, o maior em operação no país,
após ter descoberto um vazamento no oleoduto Trans-Alaska. Ele liga o
North Slope do Alaska ao porto de Valdez e é a via crítica de
escoamento do petróleo da região para as refinarias estadunidenses.
O anúncio do vazamento e do fechamento do
poço tiveram impacto em um mercado já pressionado pelo conflito entre
EUA e Irã e por eventos na Nigéria, maior produtor africano. Lá,
ataques de militantes separatistas à infra-estrutura petrolífera
levaram à redução de 30% nas exportações. Essas tensões e a emergência
de novos incidentes em áreas produtoras estão mantendo o preço do
barril de petróleo no patamar dos US$ 70, já mirando nos US$ 80 nos
picos. O gráfico mostra o surto de alta no preço do petróleo Brent, na
semana dominada pelas notícias sobre o fechamento do campo da BP.
Maus antecedentes
Esse anúncio ocorreu depois de outro incidente, em março, quando
mais de um milhão de litros de petróleo vazaram no North Slope. Foi o
pior acidente desse tipo na história daquela parte do Alaska. As
operações da BP na Baía de Prudhoe têm uma história longa de vazamentos
e operações ilegais, que resultaram em processos e multas. O vazamento
de março estava sob investigação criminal e da Agência Ambiental do
EUA, a EPA. Eleanor Hufines, diretora regional no Alaska da The
Wilderness Society, disse à imprensa, que as operações da BP no Alaska
contradizem consistentemente a imagem que a companhia cultiva de
amigável ao ambiente “por pelo menos uma década”. Ela informou que
havia corrosão nos dutos, eles estavam em deterioração visível,
portanto o desastre e o fechamento não foram surpresa. Ao contrário,
disse ela, tudo poderia ter sido evitado, mas eles vêm ignorando os
problemas há anos.
As operações de petróleo no North Slope têm sofrido duras críticas dos
ambientalistas e dos cientistas. Relatório da Academia Nacional de
Ciências, diz que a vida silvestre da região tem sido perturbada pelas
perfurações. As baleias, por exemplo, desviaram suas rotas de viagem
costeira para evitar essas áreas; mamíferos mudaram seus padrões de
reprodução e migração, por causa disso os predadores aumentaram e
ameaçam de extinção as espécies de aves mais frágeis.
Lições do desastre
Há muitas lições nessas histórias. A primeira, óbvia, é que a
atividade petrolífera é, cada vez mais, uma atividade de alto risco
econômico e ambiental. Isso significa que dificilmente o petróleo
voltará a patamares de preço muito abaixo dos atuais e há um cenário em
que podem, inclusive, se fixar em patamar ainda mais alto, em
decorrência do provável agravamento das tensões geopolíticas e dos
conflitos intratáveis em regiões produtoras. Além disso, em áreas como
o Golfo do México, o aumento de furacões de maior intensidade, por
causa do esquentamento da água do mar, eleva o risco de danos físicos
insuportáveis, comprometendo a exploração petrolífera nos locais de
maior impacto continuado. Se isso ocorrer, aumenta consideravelmente o
incentivo ao investimento em fontes alternativas de energia e em
biocombustíveis.
Uma outra importante lição, é que o petróleo, além de contribuir
majoritariamente para o efeito estufa, tem sido poderoso inimigo da
biodiversidade, especialmente, mas não exclusivamente no mar. E não
apenas nas atividades de exploração, mas também no transporte e nos
usos que exigem estoques volumosos, vulneráveis a vazamentos. O
desastre de Jiyeeh ilustra bem isso. Portanto, todo cuidado é pouco.
Que sirva de alerta e lição aqui no Brasil, onde os governos e
parlamentares do Espírito Santo e da Bahia estão pressionado o governo
federal para anular a decisão do Ibama que impõe restrições à
exploração de petróleo nas áreas críticas da zona de amortecimento do
Parque Nacional de Abrolhos. Um desastre ali, representaria uma
tragédia inaceitável para a biodiversidade. No EUA, várias autoridades
e políticos da região do Alaska estão dizendo que um novo “Exxon
Valdez” seria intolerável. Pois é, aqui também
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